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O reino da felicidade (por Juliana A. Saad)


Butão, um país fascinante para quem deseja novas experiências

Depois de isolamento auto-imposto durante a maior parte do século 20, o Butão, pequeno país localizado entre dois gigantes, a China ao norte e a Índia ao sul, resolveu abrir suas portas aos estrangeiros oferecendo, além da belíssima e desafiadora geografia da cordilheira do Himalaia, um estado natural de bem-estar refletido na fisionomia alegre de seu povo e em suas tradições culturais, espirituais e sociais.

O reino budista do Butão é um destino ainda puro, avaliado como um dos países mais felizes do mundo pelo Gross National Hapiness (Felicidade Interna Bruta), termo criado em 1972 justamente pelo rei butanês Jigme Wangchuck, pai do atual monarca, como um indicador que mede a qualidade de vida e o progresso social de maneira menos atrelada aos índices da economia. O FIB foi também adotado pela ONU como um indicador auxiliar ao PIB e ao IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, recriado ano a ano por um time mundial de renomados intelectuais. Ele se baseia em 9 variáveis: bem-estar psicológico, saúde, uso do tempo, vitalidade comunitária, educação, cultura, meio ambiente, governança e padrão de vida.

Os picos de até 7.500 metros do Himalaia são a parte mais visível do Butão, mas ele tem também planícies baixas ao sul e rios que cortam seu caminho por entre vales, com belezas cênicas singulares para novas descobertas. Percorrer esses vales em trekkings guiados, como a rota Jhomolhari, é emocionante. Seu percurso atravessa florestas, pomares de maçã, cruza rios e oferece vistas sem fim das montanhas.

A simpática capital, Thimpu, está no vale do rio Wang Chu, com prédios mais recentes abrigando a família real e um centro de comércio. Paro sedia o único aeroporto do país e possui grande importância histórica, com várias atrações, entre elas o templo de Kyichu Lhakhang, construído no século 7 e que guarda diversas relíquias do budismo.

Uma das mais bonitas e bem preservadas construções do país é o Palácio da Grande Felicidade (Punakha Dzong). Localizado na confluência dos rios Pochhu e Mochhu, no vale de Punakha, foi construído entre 1637 e 1638 e mostra a imponente arquitetura original do Butão. O vale está a 1.300 m de altitude e tem o clima mais ameno do país, com plantações de banana, laranja e tangerina.

E o mais célebre monastério (com 7 templos) é o Taktshang, ou Ninho do Tigre, erguido no século 8 no Vale de Paro pelo guru Rinpoche, guia espiritual e introdutor do budismo no país. Suspenso em um penhasco de 3.120 m de altura, só é acessível por uma caminhada de aproximadamente 2 horas. Subir até lá foi uma das experiências mais impressionantes da minha vida.